AS MULHERES DE SUAS VIDAS (notas sobre o feminino nos filmes da competição nacional)
Seis dos sete curtas exibidos na terceira sessão da Mostra Competitiva Nacional do Festival Primeiro Plano 2009 tinham na mulher sua figura principal. Curioso também perceber, com os debates do dia posterior à exibição, a relação dos diretores com seus filmes e suas impressões em relação ao universo feminino. Com exceção de 3.33, de Sabrina Greve – um filme denso, que transcreve as sensações de uma mulher que sofre de distúrbio bipolar –, as diretoras mostraram um lado mais leve, alegre, romântico e até ingênuo da mulher. Os homens, por sua vez, trataram da solidão, mostrando formas diferentes de preencher (ou não) o vazio dentro de suas mulheres-protagonistas.
Assim foi com Os últimos momentos para você ser o que eu quiser, de Lígia Gabarra, e Ana Beatriz, de Clarissa Cardoso. O primeiro fala de uma adolescente que, enquanto espera o garoto por quem está apaixonada chegar até ela, fantasia os motivos que o fizeram não telefonar para ela no fim de semana. Entre idéias positivas e negativas, a garota imagina até situações absurdas (como a possibilidade de seu amado ser super-herói), mostrando toda a sua ingenuidade adolescente. No segundo, apesar da narrativa falar do dia Paulo, as imagens mostram Ana Beatriz até o momento em que eles se conhecem numa loja do shopping e começam a namorar. Produzido com fotografias em stop motion e tão colorido quanto o Os últimos momentos…, o curta mostra na protagonista uma mulher moderna, segura, mas não menos romântica, em uma história de amor ao estilo “Eduardo e Mônica”.
As mesmas cores e leveza não estão presentes nas outras três narrativas exibidas. Em Parasara, Igor Moura demonstra as impressões de Sara quanto ao mundo que a cerca, após a morte dos pais. A opção pela técnica da rotoscopia (onde se usa como base as imagens filmadas de modelos vivos) dá à animação um tom de sonho, que nos confunde quanto ao real significado das experiências vividas pela protagonista. André Mielnik também trata da solidão em Sobe, Sofia. Sofia é uma jovem que vive uma solidão compartilhada, até descobrir-se sozinha de verdade com a morte da sua avó. Os hábitos introspectivos da personagem e a palidez da fotografia dão a sutileza necessária ao filme. À primeira vista, a exceção parece ser Minha tia, meu primo, de Douglas Soares. Sateni, tia-avó do diretor e protagonista do curta, mostra-se alegre e extrovertida. Engraçada, a senhora fala sem pudor das poucas expectativas, além de preencher seu vazio emocional (ela é viúva e não tem filhos) com seu pássaro de estimação, tratado como filho.
Enfim, não se pode afirmar ao certo o que causa essa diferença de visões: o sexo por si só não pode ser, a exemplo de 3,33, dirigido por uma mulher. Sem dúvida a sensibilidade masculina e feminina são divergentes. Os filmes de Clarissa Cardoso e de Lígia Gabarra são classificados – a contragosto de Lígia – como “fofos”. Talvez essa liberdade em ser “fofo” permitiu às diretoras a leveza de suas “comédias-românticas”. Para os diretores, talvez, o estereótipo da fragilidade e sensibilidade da mulher deixou-os mais à vontade para tratar a solidão. O fato é que as diferentes impressões dos diretores e diretoras quanto às “suas mulheres” proporcionaram uma sessão única para os espectadores.
Íris Jatene

Teste de elenco, de Ian SBF e Osiris Larkin, teve sua estréia na abertura do Festival Universitário de 2009. A comédia foi muito bem recebida pelo público. O mais novo objetivo dos diretores é contar com esse mesmo público para conseguir levar o filme às salas de cinema. A comédia, filmada no fim de 2008 e finalizada em 2009, é uma produção Fondo Filmes.





